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Air Koryo: como foi voar de Pequim para Pyongyang e passar pela imigração na Coreia do Norte

Coreia do Norte ·Escrito em · Atualizado em

Voamos de Pequim a Pyongyang na Air Koryo, a companhia com a pior nota da Skytrax, e discordamos da fama. Como é o voo, o hambúrguer e a imigração na chegada.

Avião da Air Koryo no aeroporto de Pequim, a caminho de Pyongyang

Se você buscar na internet, vai encontrar muitos sites que atestam que a Air Koryo é a pior companhia aérea do mundo. Sinceramente, não acho: já voei por companhia muito pior. E a imigração em Pyongyang, que a gente imaginava bem mais rigorosa, foi mais tranquila do que esperávamos.

Contamos como foi voar de Pequim para Pyongyang com a companhia norte-coreana e como é o procedimento de imigração no aeroporto de Pyongyang. O relato faz parte da nossa viagem à Coreia do Norte: se ainda não leu, comece pelo guia da viagem, que explica como funciona o tour.

Quando fomos

Voamos de Pequim para Pyongyang em 15 de fevereiro de 2018 e voltamos no dia 17, em pleno Ano Novo Lunar.

Avião ou trem para Pyongyang?

Para ir para Pyongyang, você tem basicamente duas opções: avião ou trem. Como o tempo era curto e a viagem de trem dura quase 24 horas (e a de avião 1h40), resolvemos ir voando. A passagem vinha incluída no pacote do tour (veja quanto custou).

A companhia aérea que faz o percurso é a Air Koryo, e ela é de fato norte-coreana e controlada pelo governo.

A fama de pior do mundo vem da Skytrax, consultoria britânica que avalia companhias aéreas: por anos, a Air Koryo foi a única com nota de uma estrela. Deixando claro: a avaliação olha o serviço de bordo, não a segurança.

Check-in da Air Koryo no aeroporto de Pequim

O trâmite no aeroporto de Pequim é como qualquer outro do mundo. Em Pequim, a Air Koryo não tem balcão próprio, então todo o procedimento é feito em parceria com a Air China. O cartão de embarque, inclusive, sai como se fosse da Air China.

Painel do portão de embarque no aeroporto de Pequim mostrando o voo da Air Koryo para Pyongyang

Como é o avião da Air Koryo

Já dentro do avião, apesar de ser uma aeronave velha, ela era bem mais espaçosa que muita companhia aérea de voos curtos, especialmente as low cost da Europa e da Ásia. Fotografar dentro do avião era permitido.

Antes de o avião levantar voo, as aeromoças começam a distribuir jornais para todos os passageiros. Para os norte-coreanos, tudo na língua deles e, para os estrangeiros, entregam o famoso “Pyongyang Times”, que sempre traz a foto de Kim Jong-un na capa. Um baita souvenir, confesso: tenho até hoje.

Primeira página do jornal Pyongyang Times de 10 de fevereiro de 2018, com a foto de Kim Jong-un discursando O Pyongyang Times que ganhamos no voo, edição de 10 de fevereiro de 2018. Guardado até hoje (e dobrado com cuidado).

Depois da entrega do jornal, todas as instruções de voo e segurança são passadas também em inglês.

Cabine do avião da Air Koryo, com poltronas vermelhas e as televisões penduradas no teto do corredor

Além do jornal, o entretenimento de bordo também acontece por meio de televisões no teto (compartilhadas, não individuais). Tanto na ida quanto na volta, foi exatamente o mesmo: um vídeo com uma espécie de coral de música norte-coreana.

Formulários de chegada à Coreia do Norte

Quando o avião já está voando, antes de servirem a comida, começam a distribuir os formulários que devem ser preenchidos e entregues na chegada em Pyongyang. São 3 no total: saúde (países em que esteve, se tem sintomas de alguma doença etc.), alfândega (lista de tudo que está levando, inclusive quanto dinheiro em espécie você leva) e motivo da visita (quem o convidou, número do visto etc.). Os guias ensinam como preencher cada um no dia anterior, no briefing em Pequim.

O famoso hambúrguer da Air Koryo

Hambúrguer da Air Koryo na embalagem de plástico, com uma lata de refrigerante de uva e o guardanapo da companhia, na mesinha do avião

Logo depois, servem a refeição, que, segundo o nosso guia, é sempre a mesma, independentemente do horário do voo: hambúrguer de frango. Eles não mudam isso há anos e virou uma marca deles. O lanche vem com maionese e repolho, tudo frio. Para beber, você pode escolher entre as opções padrão: refrigerante, cerveja, suco etc.

A fama é que ele é horrível, mas eu discordo. Eu gostei bastante, comi na ida e na volta. Já me serviram comida muito pior em voo de grandes companhias aéreas. Ponto para a Air Koryo.

Imigração no aeroporto de Pyongyang: os 3 controles

Chegando em Pyongyang, passamos por 3 “check points” antes de sair do aeroporto.

O primeiro foi bem rápido e é para controle do formulário de saúde. Como não tínhamos preenchido nenhum sintoma, simplesmente entregamos e passamos.

O segundo foi relacionado ao motivo da viagem e foi bem parecido com qualquer lugar do mundo. Basicamente perguntam o nome, o local de residência e é isso, tudo em inglês. Saindo dali você vai até a esteira retirar a mala que foi despachada e, por fim, passa no último ponto de controle, que é o da alfândega.

Alfândega: eletrônicos, fotos e livros

Nesse último ponto é onde analisam tudo o que você está levando e relatou no formulário. Pedem para pegar todos os eletrônicos e os analisam, inclusive fotos de câmeras, celulares etc. Além dos eletrônicos, também checam os seus livros e jornais. Isso é para ver se você não está levando nenhum material proibido no país, como livros estrangeiros falando sobre o governo da Coreia do Norte, pornografia, material religioso etc.

Na hora de passar nesse ponto, comecei a me enrolar. Ao mesmo tempo que você tem que mostrar tudo isso, outro policial já pega seu passaporte e começa a registrar todo o equipamento em outro lugar. É tudo meio bagunçado e nesse ponto não falam inglês, então foi um pouco complicado. A minha sorte é que a guia norte-coreana me reconheceu, logo apareceu e começou a conversar com eles e ajudar.

Saguão de chegada do aeroporto de Pyongyang

Passando esse último ponto de controle, mais tenso, você já está na área de desembarque do aeroporto, e os guias norte-coreanos já estão ali te esperando. Como podem imaginar, o aeroporto é bem pequeno, mas muito organizado e limpo. Por ali é permitido andar sozinho e tirar fotos, desde que não saia da área do estacionamento sem seus guias locais.

Saguão de desembarque do aeroporto de Pyongyang, com plantas e uma televisão

Estacionamento do aeroporto de Pyongyang, com táxis enfileirados, no fim da tarde

A imigração na Coreia do Norte é tão rigorosa quanto dizem?

Sinceramente, por tudo que tínhamos lido, imaginávamos um controle bem mais rigoroso. Eles não olham literalmente todas as fotos e, de algumas pessoas, não olham nenhuma. Eles decidem ali na hora se vão fazer ou não. Pelo que os guias falaram, eles se preocupam mais com as pessoas que chegam de trem: lá sim eles abrem mala a mala e analisam tudo de cabo a rabo.

Check-in de volta no aeroporto de Pyongyang

Na volta, o check-in foi num balcão da própria Air Koryo, no aeroporto de Pyongyang. O processo foi bastante tranquilo e comum, igual a qualquer lugar do mundo. A única diferença é que a mala passa por um raio-x antes do check-in. Quando a nossa passou, eles viram algo que parecia um cartaz e pediram para ver o que era. Abrimos a mala, mostramos que era um souvenir e tudo seguiu normalmente.

Leia também: como foi visitar a Coreia do Norte, com o roteiro completo, quanto custou e as regras para turistas, e o nosso review de Pequim, de onde saem os voos.

Texto de Thiago Braga. Quem somos e como escrevemos. Siga no Instagram, TikTok e YouTube.