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Pequim: nosso review e o que fazer na capital da China

China ·Escrito em · Atualizado em

Ficamos 4 dias em Pequim e contamos o que valeu: Muralha, Cidade Proibida, onde ficar, como chegar do aeroporto, comida e o que nos incomodou.

Telhados dourados e muros vermelhos da Cidade Proibida, em Pequim

Pequim é uma cidade diferente, difícil de resumir em uma palavra só. Ficamos 4 dias por lá, bem na época do Ano Novo Chinês, e voltamos cheios de opinião: a Muralha valeu cada minuto, a Cidade Proibida foi um caos e a comida nos obrigou a viver de fast food. A seguir, o que vimos, o que valeu a pena e o que nos incomodou.

A cidade mistura coisas muito interessantes, que a colocam com folga na lista de lugares para conhecer, com outras bem esquisitas.

A primeira surpresa: tirando as baladas, dava para contar nos dedos de uma mão quantos ocidentais vimos durante o dia. A gente achava que seria uma cidade superturística, mas foi o contrário. Bastava sair na rua para as pessoas ficarem olhando e filmando. Teve gente que até nos parou para pedir uma foto com a gente. Inglês, então, quase ninguém fala (leve um tradutor no celular e o endereço do hotel escrito em chinês!).

Outra coisa para ter em mente: vai ter fila para tudo. A cidade é muito populosa, e quase nada se faz sem enfrentar fila. Isso cansa, ainda mais porque as filas são bagunçadas e ninguém respeita muito a ordem. Espaço pessoal praticamente não existe.

A comida é um assunto à parte. Para o nosso paladar, foi sofrível: passamos os 4 dias almoçando e jantando no Burger King, no McDonald’s e no KFC. Mas tem quem goste. Se você curte experimentar coisas novas e não tem frescura para comer algo que nem sabe o que é, está no lugar certo. Se for como a gente, não tenha vergonha de apelar para o fast food. E só beba água de garrafa.

Em compensação, a cidade é muito segura. Dá para andar tranquilo a qualquer hora. Os cuidados são outros, como o trânsito, que é caótico.

Do lado bom, é justamente esse choque de cultura que torna a cidade tão interessante. As construções não se parecem com nada que você vê no Ocidente. E Pequim é uma cidade rica, então tem muita coisa para ver: arranha-céus, carros diferentes, eletrônicos que a gente nem conhece no Brasil. Parece que eles vivem em outra época. O cartão de crédito, por exemplo, já é coisa do passado por lá, e muitas lojas simplesmente não aceitam. Tudo se paga pelo celular, com Alipay ou WeChat Pay, então deixe os dois instalados e com o cartão vinculado antes de viajar. O mesmo vale para a internet: Google, WhatsApp e Instagram são bloqueados, então compre um eSIM ou instale uma VPN ainda no Brasil.

Quantos dias ficar em Pequim?

4 dias resolve!

Quando fomos: Pequim no inverno e no Ano Novo Chinês

Chegamos a Pequim em 18 de fevereiro de 2018, dois dias depois da virada do Ano Novo Chinês (16 de fevereiro, o Ano do Cão). A comemoração dura duas semanas, até o Festival das Lanternas, em 2 de março, então pegamos a cidade em plena festa.

O clima é de inverno, frio e seco: em fevereiro, as máximas ficam entre 4 e 7 graus e as mínimas entre -5 e -7, com quase nenhuma chuva e alguns poucos dias de neve. Vá bem agasalhado.

A festa também muda a cidade. Muita gente viaja para ver a família, e parte dos restaurantes e lojas fecha, enquanto os pontos turísticos e os parques com feiras de templo ficam lotados. Para nós, isso apareceu nas baladas que tínhamos pesquisado e que estavam fechadas.

Nosso conselho: fuja do Ano Novo Chinês, como a gente não fez, e da primeira semana de outubro. Primavera e outono são as melhores épocas.

Onde ficar em Pequim: qual região?

A cidade é bastante grande e é impossível se hospedar em algum lugar que seja perto de tudo. A boa notícia é que hospedagem é barata, então dá para ficar em uma região mais central e, além disso, o metrô é excelente, então fica fácil.

A gente ficou próximo da Rua Wangfujing e achamos muito boa a localização. O hotel, da rede Novotel (o Novotel Beijing Peace), tem boa estrutura e ganhou ponto positivo para o café da manhã (nossa melhor refeição do dia).

Como ir do aeroporto de Pequim até o centro?

A maneira mais rápida e barata com certeza é utilizando o trem (Airport Express). Eles saem de dentro do aeroporto e, além de conseguir fugir do trânsito (pode ser um problema em Pequim), ele deixa no que eles chamam de “Hub de Transporte”, que é uma estação que dá acesso para metrô e ônibus, o que facilita bastante.

Sem ser o trem, pode utilizar táxi e transfer particular. O transfer custará algo em torno de 45 euros, enquanto o táxi 100 RMB (dinheiro chinês), então, entre os dois, a dica fica para usar o táxi.

Apenas tenha certeza de estar pegando um táxi oficial. É fácil: vá até a porta de desembarque e você já vai ver a fila de táxis. Para ter mais certeza ainda, certifique-se que há a placa de “Taxi” escrito no teto, além de a placa dele começar com “B”. Em Pequim, é obrigatório que carros de transporte oficiais comecem com “B”. Como em vários lugares do mundo, há muitos táxis não oficiais que cobram muito mais caro.

Ah, o Uber não funciona na cidade.

Como se locomover em Pequim: metrô e táxi

Definitivamente de metrô. As placas e mapas das linhas estão em inglês, assim como a máquina para comprar o ticket, então você não depende de falar com ninguém para se locomover, o que, nesse caso, é algo bom.

Apesar de barato, o táxi é bastante complicado, porque, como já comentei, ninguém fala inglês na cidade e, ainda que você tenha o endereço escrito em nosso alfabeto, também não vão entender. Somente entendem a grafia em chinês. Ou seja, se você não tiver o endereço de destino em chinês, nem adianta tentar pegar táxi.

Inglês em Pequim: dá para se comunicar?

Ou você fala chinês, ou a única forma é mímica.

É impressionante ver que realmente ninguém fala inglês na cidade, incluindo aí desde os mais jovens até os mais velhos. Não é exagero: não entendem sequer um básico “Thank You”. Para terem uma ideia, o barman do nosso hotel (que era uma rede internacional) não conseguia entender “Water” e “Beer”: tivemos que apontar para conseguir uma água e uma cerveja. Até na recepção dos hotéis, normalmente tem apenas 1 pessoa que fala inglês.

Algumas exceções dessa regra são as grandes lojas (Apple, por exemplo).

Dicas práticas para viajar a Pequim (internet, WeChat, segurança)

Como a cidade é bastante diferente do que estamos acostumados nos destinos padrões, vamos a algumas dicas práticas:

  • Antes de ir, confira as regras de entrada: explicamos tudo em como tirar o visto chinês.
  • Sempre ande com o endereço do seu hotel escrito em chinês. A maioria dos hotéis já coloca no cartão e entrega no check-in, mas, se não, peça. Você vai precisar caso precise de um táxi.
  • O “Great Firewall” da China realmente funciona, então no Wi-Fi normal não funcionarão Instagram, Facebook, Google e Gmail.
  • O Wi-Fi é bastante limitado na cidade: muitas vezes as orientações estão só em chinês ou pedem que você tenha um número da China para validação. Se quiser estar sempre conectado, a sugestão é comprar um chip internacional ou roteador no aeroporto.
  • Eles são frenéticos por segurança, então sempre se programe para chegar com antecedência nos lugares, porque pode ter certeza que haverá um “security check”, que envolve detector de metais e raio-x de malas. No metrô mesmo, tem em várias estações.
  • Eles usam o app WeChat para literalmente tudo (desde pagamento até guarda-volumes em balada), então já deixe ele baixado e funcionando, para não ter dificuldades.
  • Muitas lojas não aceitam cartão de crédito, então tenha sempre dinheiro vivo para emergência.
  • Segurança definitivamente não é um problema.

Vale a pena fazer compras em Pequim?

Com certeza. Apenas não vá achando que, por ser China, você vai conseguir um iPhone X a 100 dólares, porque não vai. Ainda assim, os preços de alguns itens saem em média 50% mais baratos do que no Brasil. Você consegue comprar, por exemplo, um Apple Watch Série 3 por R$ 1.200,00, enquanto no Brasil custa a partir de R$ 2.600, ou mesmo um MacBook Air por R$ 3.200,00, quando no Brasil está a partir de R$ 7.000,00 (valores de 2018).

Roupas também saem em um preço bastante interessante. É um pouco mais difícil de achar coisas boas, por conta da diferença de porte físico e estatura dos chineses, mas, ainda assim, dá para encontrar algumas coisas em excelente preço.

Grande Muralha da China

Muralha da China: o que é?

Construída durante várias dinastias, ao longo de 2000 anos. A muralha foi construída para proteger o império chinês de invasões de povos vizinhos, em especial dos mongóis.

Muralha da China: o que achamos?

Definitivamente é um passeio que não tem como ir para Pequim e não conhecer. Toma praticamente 1 dia inteiro e é bastante cansativo, mas, ainda assim, vale a pena. É algo realmente impressionante, que não dá para perder.

Muralha da China: quanto tempo, quanto custa e como planejar?

Como já comentei, reserve 1 dia inteiro, começando bem cedo.

O próximo passo é definir em qual ponto da muralha você quer ir. Há diversos disponíveis próximos de Pequim (ex.: Badaling, Jiankou, Mutianyu e Simatai), cada um com a sua característica (fazer trilha, dificuldade de locomoção, proximidade, etc.).

Nós escolhemos a Mutianyu, que não é a mais próxima nem a mais fácil de se chegar. O resultado disso é que tem muito menos turistas. A mais próxima é Badaling, mas, pela facilidade, lá fica muito lotado.

Outro ponto que você tem que decidir é se irá por conta própria ou se contratará um tour. Sinceramente achamos melhor ir por conta, porque, além de ser muito mais barato (mais de 70% de diferença), ninguém merece ficar preso ao grupo…

Se ficou interessado, dê uma olhada no nosso relato detalhado de como ir para Mutianyu por conta própria e não gastando quase nada.

Cidade Proibida e Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial)

Cidade Proibida: o que é?

A Cidade Proibida foi construída entre 1406 e 1420 e foi durante séculos a residência oficial dos imperadores chineses. Apenas a família e funcionários poderiam entrar durante esse período. Em 1987, a Cidade Proibida foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Já a praça tem significado simbólico para os chineses, sinônimo de poder no país. Ficou mundialmente conhecida após os protestos de 1989, duramente reprimidos pelo governo chinês, em um episódio cujo número de mortos até hoje é contestado: a famosa cena do homem enfrentando os tanques aconteceu bem ali perto. Além de uma importante atração turística em Pequim, ao redor da Praça da Paz Celestial ficam vários outros pontos de interesse, como a Cidade Proibida e o Mausoléu de Mao Tsé-Tung.

Portão de Tiananmen, com o retrato de Mao Tsé-Tung O Portão de Tiananmen.

Cidade Proibida: o que achamos?

Caótico. Eu nunca vi tanta pessoa junta em minha vida inteira. Deixamos para ir no meio da semana, porque sabíamos que no final de semana seria muito cheio. Se em uma terça era daquele jeito, não quero nem imaginar como é no final de semana.

Horas e horas de fila, pessoas trombando em você o tempo todo e ninguém que fala inglês para ajudar nas orientações. Isso resume como foi a ida até esses dois lugares. Era tudo uma grande fila. Impossível tirar uma foto sem ter umas 500 pessoas nela e parar para olhar algo que se interessou era impossível. Você era arrastado pela multidão.

Muros vermelhos e telhados dourados da Cidade Proibida, em Pequim A Cidade Proibida.

Cidade Proibida: quanto tempo, quanto custa e como planejar?

Separe muita paciência acima de tudo. Depois disso, se programe para estar lá bem cedo (bem cedo mesmo). A entrada para o público abre às 08:30. Chegamos lá às 09 e estava esse caos que contei, então a sugestão é realmente chegar pelo menos umas 07:00 e comprar o ingresso com antecedência. Não deixe para comprar na hora (e hoje isso nem é mais possível, como explica a seção de atualizações no fim do texto).

Cidade Proibida: dica especial

Parque Jingshan. Fica nos fundos da Cidade Proibida e é possível ter uma vista do palácio de cima. Como abre antes dela, dá para tirar foto sem ter ninguém lá dentro, o que é raríssimo.

Wangfujing: compras e street food

Wangfujing: o que é?

Uma rua de compras tanto com lojas locais como internacionais, como Apple, Nike, etc. Certamente vale a visita. Lá você vai encontrar tanto lojas de rua como diversos shoppings.

Espetinho de escorpião em primeiro plano, na rua das barracas de Wangfujing, em Pequim Espetinho de escorpião, na travessa de Wangfujing.

Além de poder comprar produtos com ótimos preços, também é em uma travessa dela que fica uma rua com aquelas famosas barracas que vendem espetinhos de escorpião, bicho-da-seda e outros insetos.

Wangfujing: quanto tempo, quanto custa e como planejar?

Wangfujing Street está localizada em um antigo distrito de comércio de Pequim. Se ficar no hotel que indiquei, estará a menos de 5 minutos a pé. Se estiver disposto a fazer compras, separe 1 tarde ou manhã inteira, porque tem bastante coisa para ver.

Já para visitar a rua das barracas de espetinho de insetos, sugiro ir cedo. Apesar de à noite ser mais legal por conta das luzes, fica impossível de andar lá. Os tours planejam para ir lá à noite e, para quem conhece, fica pior que a 25 de Março, aqui em São Paulo.

Rua Wangfujing ao entardecer, com lojas iluminadas Wangfujing, ao entardecer.

Qianmen Main Street

Qianmen: o que é?

Outra rua dedicada ao comércio e aos pedestres. Atualmente é possível encontrar lojas internacionais, além de várias lojas populares chinesas onde se compram roupas, eletrônicos etc.

Qianmen: quanto tempo, quanto custa e como planejar?

Ela fica ao final da praça Tiananmen, então a sugestão é deixar para fazê-la no mesmo dia. Como tem bastante restaurante, dá para almoçar lá, depois de ter visitado a praça e a Cidade Proibida.

A rua não tem tanta coisa assim, então uma passagem rápida resolve.

Quais templos visitar em Pequim?

Templos: o que é e qual visitar?

A China é lotada de templos, cada um com a sua história. Pequim não poderia ser diferente. Alguns deles inclusive declarados como patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO.

A não ser que você seja fascinado por templos ou tenha bastante tempo na cidade, sugerimos que escolha no máximo dois, para conseguir ver o restante da cidade. Para ajudar, vou listar abaixo os principais, para que você possa decidir qual visitar:

  • Palácio de Verão (Yiheyuan): refúgio do imperador durante o verão. Possui cerca de 70.000 metros quadrados de área construída, dentro de um parque enorme (cerca de 290 hectares). Um pouco distante do centro.
  • Templo do Céu: grande complexo de templos e altares imperiais, construído entre 1406 e 1420.
  • Templo de Confúcio: segundo maior templo destinado ao confucionismo (filosofia chinesa que propaga a responsabilidade e a moralidade das pessoas diante da sociedade, com a famosa frase: “não faça aos outros o que não queres que façam a ti”).
  • Templo dos Lamas: maior templo do budismo tibetano de Pequim. Fica bem próximo do Templo de Confúcio.
  • Templo de Dongyue: fundado em 1319, da linha taoista.

Vida noturna em Pequim: onde sair

Os chineses não são tão acostumados com balada como nós, paulistas, então tem muito mais opções de bares com música ao vivo, por exemplo, do que balada propriamente dita, mas, ainda assim, há uma região onde você encontra uma balada ao lado da outra. Você apenas não vai ter muita opção de som: é eletrônico e ponto.

Nós estávamos lá na época do Ano Novo Chinês, então, apesar de algumas baladas que tínhamos pesquisado antes estarem fechadas, essa rua estava funcionando totalmente.

A balada que decidimos entrar foi a Sir Teen e não poderia ter sido melhor a escolha. Não sei o que houve, mas, apesar de não termos nome na lista, acho que a hostess gostou da gente e nos colocou lá: isso significou que não pagamos nada a noite inteira. A entrada ela não nos cobrou e, para bebida, ficou a noite inteira nos fornecendo tickets cortesia. Não gastamos 1 real sequer, sendo que era uma balada com estrutura muito boa. No final, até música brasileira tocou.

De diferente, é que não há fumódromo: todo mundo fuma lá dentro mesmo, então já vá ciente disso, e que, pelo menos na que fomos, também não bebem cerveja de jeito nenhum na balada. Só tinha destilado.

Se não estiver a fim de balada, vá ao bairro Sanlitun, que tem ruas também com bares um do lado do outro, com música ao vivo, karaokê, etc.

Leia também: outros textos sobre a China, como visitar Macau a partir de Hong Kong, que fizemos na mesma viagem, e, se for seguir viagem, como foi visitar a Coreia do Norte saindo de Pequim. Para imprevistos no caminho: o que fazer quando o voo atrasa, o que fazer se perderem sua mala e o que fazer se a mala chegar danificada.

Texto de Thiago Braga. Quem somos e como escrevemos. Siga no Instagram, TikTok e YouTube.