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Como comprar moeda estrangeira para viajar: quanto levar, como levar, onde e quando comprar

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Cédulas de várias moedas estrangeiras

Em resumo: faça a conta de quanto vai gastar por dia, leve a maior parte num cartão pré-pago ou numa conta internacional, um pouco em dinheiro vivo e deixe o cartão de crédito para imprevistos. Compre em casa de câmbio, comparando no ranking do Banco Central, e vá comprando aos poucos. Em 2026, o IOF é de 3,5% em todas essas opções.

Destino escolhido, passagens compradas, roteiro montado e ansiedade a mil. A única coisa que falta agora é o planejamento financeiro.

Uma das dúvidas que mais nos perguntam é “como comprar moeda estrangeira?”. A resposta nunca é fácil, então vou dar algumas dicas para ajudar vocês a se programarem. Vamos ao passo a passo, começando pelo quanto levar.

Quanto dinheiro levar para a viagem

  • Primeiro de tudo, faça uma lista dos países para onde você vai e da moeda usada em cada um deles;
  • Agora, faça uma conta de quanto pretende gastar por dia. Isso pode variar se você vai para lugares com custo de vida muito diferente, como, por exemplo, Londres (caro) e Tailândia (mais barata).

Se você for para países com a mesma moeda ou, mesmo que diferentes, com moedas fortes (por exemplo, dólar, euro e libra), está fácil. Você já sabe qual é e quanto vai precisar, então basta comprar (falaremos mais sobre isso logo abaixo).

Agora, se você vai fazer um roteiro maluco, que passa por vários países com moedas que você sequer consegue comprar no Brasil, a dica é a seguinte: converta toda a conta que você fez ali em cima para euro ou dólar (fica a seu critério; pense sempre em qual você poderá usar numa viagem futura, se sobrar). Eu, particularmente, vou sempre de dólar, pois o leque de lugares que aceitam é muito maior.

Dinheiro vivo, cartão pré-pago, conta internacional ou cartão de crédito?

Agora que você já sabe quanto vai precisar, fica a dúvida: como levar? Bom, vou te falar as opções, os prós e os contras, e você escolhe no final:

  • Dinheiro vivo: levar tudo em dinheiro certamente facilita o dia a dia. O IOF, que antes era menor no dinheiro, hoje é o mesmo das outras opções (3,5% em 2026). O problema aqui é a segurança. Pense que, se você perder ou for assaltado ou furtado (pode acontecer), já era: todo o seu dinheiro foi embora. Se deixar para trocar em lojas e restaurantes de países em que a moeda é outra que não a que você levou, muitas vezes vai conseguir, se for euro ou dólar, mas vai perder bastante na conversão. Ah, e, claro, se acabar, acabou! Mas, em alguns lugares, só ele resolve: em Pequim, muita loja não aceitava cartão; na Coreia do Norte, só se compra com yuan, dólar ou euro; o passeio a Chernobyl era cobrado em dólar; e, nos 7 dias pela Etiópia, o cartão não ajudou: pagamos tudo em dólar e em espécie, inclusive o guia.
  • Cartão pré-pago (ou conta internacional): hoje o custo é parecido com o do dinheiro vivo, e as contas internacionais (as chamadas contas globais) costumam sair até mais baratas. Além disso, a segurança, a tranquilidade e a facilidade que ele dá fazem valer a pena. Explico: apesar de você ter que escolher a moeda com que vai recarregar o cartão (normalmente, dólar, salvo alguns cartões que são multimoedas), ele funciona em qualquer país, não só para compras, mas também para saques. Sim, se você for a um caixa eletrônico e usá-lo, a moeda que sai é a do país em que você está, e a conversão segue a taxa da bandeira do cartão (Visa ou Mastercard). Só fique atento à tarifa de saque: muitos cartões cobram, mas alguns têm isenções (por exemplo, sem tarifa até mil dólares ou nos dois primeiros saques do mês), então vale comparar qual é melhor para você. Além disso, se por acaso perder o cartão, você liga para o banco ou a casa de câmbio que emitiu o cartão e eles enviam um novo, com o seu saldo intacto. Se perder a mão nos gastos, consegue recarregá-lo facilmente de lá mesmo. Hoje, além do pré-pago tradicional, há as contas internacionais, com cartão de débito, que funcionam do mesmo jeito: você converte antes e gasta na moeda local. São exemplos a Wise, a Nomad e a Revolut, e a maioria dos bancos grandes também já tem esse serviço (apesar de normalmente cobrarem um câmbio mais caro).
  • Traveller’s cheque: coloquei aqui só para constar, então vou ser breve: não use. Caiu no esquecimento e não é aceito em lugar nenhum. Furada, então fuja!
  • Cartão de crédito: esse tem que ser usado por quem tem autocontrole e pode ser uma armadilha. O IOF é o mesmo do pré-pago, então, em tese, o valor deveria ser o mesmo e, nesse, você ainda ganha milhas para viajar de novo, olha só! É… seria bom se fosse fácil assim. Quando você compra no cartão de crédito, apesar de o imposto ser o mesmo, a cotação do banco é muito maior. Desde março de 2020, a conversão é feita pela cotação do dia da compra, e não mais pela do fechamento da fatura, então você sabe na hora quanto vai pagar, o que dá uma previsibilidade. O lado positivo é que, de fato, você ganha milhas no cartão de crédito. Atenção: os cartões que prometem devolver parte do IOF, ou até isentar, em contrapartida cobram um câmbio maior. Então talvez eles sejam melhores que o cartão de crédito tradicional, mas, comparados ao pré-pago, ainda assim vão sair mais caros.

Como eu faço: o mix de dinheiro e cartões

Todos têm prós e contras, então cada um tem que ver como melhor se adapta, mas, para ajudar ainda mais, vou contar como eu faço.

Muito simples: um mix de todos (sem o traveller’s cheque, claro). Com a conta de gastos diários, eu sempre levo de 70% a 80% no pré-pago e de 20% a 30% em dinheiro. O cartão de crédito eu deixo para compras que não eram esperadas ou que eram impossíveis de calcular antes (passeios que surgem de última hora, roupas, eletrônicos etc.) ou, principalmente, para imprevistos. Dessa forma, tenho a praticidade do dinheiro, a segurança do pré-pago, e o gasto no cartão de crédito fica sob controle, com o saldo positivo de ganhar milhas para viajar de novo!

E imprevisto acontece. Quando eu estava na Tailândia, perdi o meu cartão pré-pago. O que eu fiz foi usar o cartão de crédito como emergência (que bom que eu tinha levado!) e ligar para o banco. Quando cheguei ao destino seguinte, três ou quatro dias depois, o cartão novo já estava me esperando no hotel.

E, se puder, leve mais de um cartão de crédito. Às vezes os bancos bloqueiam, mesmo com aviso de viagem, então é bom estar prevenido. E sempre confira se o seu cartão de crédito tem função internacional e se ela está habilitada. Alguns bancos pedem aviso prévio, outros não. Consulte o seu!

Onde comprar moeda estrangeira mais barato

A dica número um é comprar em casa de câmbio. Os bancos oferecem o serviço de câmbio, mas normalmente a cotação é altíssima. Legal, mas como escolher, já que tem várias? Essa é fácil: o Banco Central acompanha o preço que cada instituição cobra na venda de moeda estrangeira e, graças a Deus, disponibiliza isso para a nossa consulta!

Exatamente isso. Antes de comprar, entre no site do Banco Central, escolha a moeda que deseja, se em espécie ou no cartão pré-pago, e o valor, e ele traz um ranking. O ranking mostra a média recente de cada instituição, não o preço de hoje, mas já dá uma boa ideia de quem vinha cobrando menos. A partir daí, você vê qual fica mais perto de você ou tem o custo de envio mais barato (às vezes pode vir até de outra cidade). Isso se chama Valor Efetivo Total, o “ranking do VET” para os íntimos: ranking do VET no site do Banco Central.

Outra opção é usar sites como o Melhor Câmbio, que fazem uma cotação em tempo real em várias casas de câmbio, e você pode até dar um lance para ver se alguma aceita.

Quando comprar moeda estrangeira

E, por fim, quando comprar? Infelizmente, a resposta para essa é “depende”. A cotação da moeda estrangeira oscila muito: você compra por um valor de manhã e por outro à noite. O que posso dizer é: use ferramentas oficiais (de novo, o Banco Central) para ver a variação dos últimos dias e meses. Assim, você vai saber uma média de preço. A partir daí, vai acompanhando a oscilação diária e, quando chegar abaixo do valor que você acha interessante, compre.

O melhor mesmo é ir comprando de pouquinho em pouquinho, pois, no final, na média, você acaba pagando um valor aceitável, nunca acima ou abaixo demais. Se a viagem é daqui a 1 ano, não deixe para comprar quando bater o melhor preço, porque ele pode cair ou subir. Compre um pouquinho todo mês e, assim, na média, você vai estar bem.

Bom, com essas dicas você está pronto para comprar moeda estrangeira. Agora é só aproveitar!

Texto de Thiago Braga. Quem somos e como escrevemos. Siga no Instagram, TikTok e YouTube.